quarta-feira, 11 de junho de 2008

Vergonha II

Paraná-Online
Dileto secretário?

ET CETERA [01/06/2008]



O voto que foi escrito pelo conselheiro Artagão de Mattos Leão para responder à consulta feita pelo secretário estadual de Educação Maurício Requião acerca da legalidade da compra dos 22 mil televisores alaranjados é um absurdo pleno. Uma vergonha. O texto, que vazou para a imprensa, mas não chegou a ser preferido na última sessão do Conselho, é o legítimo retrato da submissão e da subserviência, condutas inaceitáveis para quem ocupa a posição de julgador de Contas Públicas do Paraná. O conselheiro, não obstante tenha sido alertado pela diretoria jurídica do Tribunal e pelo Ministério Público (MP) de que carimbar “sem vícios” o processo licitatório era uma ilegalidade e um despropósito, redigiu a peça com o único intuito de poupar o irmão do rei. Artagão apegou-se apenas às questões sobre a hipótese de que o pregão pudesse ser eletrônico, mas “esqueceu-se” de analisar de que a compra soa suspeita, visto que a fornecedora jamais produziu uma TV na vida, o preço aparece como superfaturado e, o pior, figurou na lista como a maior doadora de dinheiro para a campanha passada de Roberto Requião. O parecer, de tão bonzinho, ofereceu como tratamento a Maurício o adjetivo “dileto”, cuja melhor tradução é “preferido na estima e no efeto” e “muito amado”. Uma pérola!

Rolo compressor

Ao construir o voto, Artagão não apenas passou por cima da orientação dos juristas do TCE e do MP como violou, ofendeu e machucou a seriedade de seu próprio sobrenome. Uma lástima.

O avô

Líder da região de Guarapuava, o popularmente conhecido Juca de Mattos Leão foi um empresário vitorioso do setor madeireiro e um político local de grande respeitabilidade. De personalidade simples, sempre foi ouvido com consideração. Um homem de escol. Jamais derrapou.

O tio

Sinônimo de brilho na política. Como deputado estadual e secretário de Justiça, enfrentou com serenidade as dificuldades de relacionamento com o regime militar. João de Mattos Leão ainda conquistou, no voto, uma cadeira para o Senado. Durante oito anos, defendeu com galhardia os interesses do Paraná na Câmara Alta da República. Não há manchas em sua biografia.

O pai

O velho Artagão escolheu atuar no âmbito municipal (e com grande competência). Junto com os irmãos, construiu empresas, plantou edifícios em Guarapuava, levou desenvolvimento. Como político, teve na honra um de seus principais atributos.

O irmão

Médico humanitário, Aragão dedicou-se à saúde. Manteve um hospital para atender, sobretudo, aos mais carentes. Morreu precocemente, mas não sem antes figurar como importante deputado na Assembléia Legislativa. Foi uma grande figura.

O filho

No mesmo caminho está o jovem Artagão, que em seu segundo mandato no parlamento estadual, não aceita curvar-se aos pedidos absurdos dos membros do poder executivo estadual. Respeita a imagem da família.

Análise

Até a redação do suspeito “voto requianista” no Tribunal de Contas, o conselheiro sempre engrandeceu o sobrenome que carrega. Assim, por confiar na ética do sobrinho do João e do neto do Juca, o que a sociedade espera é que ele perceba o erro que cometeu. E mude. Há tempo, Artagão.

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